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	<title>A face da vida em perfil</title>
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		<title>A face da vida em perfil</title>
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		<title></title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2008 22:22:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>facedavidaemperfil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[À minha família; aos irmãos da minha família; aos seus filhos de coração.         Capítulo I (Um sentimento explicado por trezentas sensações)       VIDA HUMANA  I O silêncio é o resto da poesia. Se for possível. Ler alergias em peles e teus coçados. O silêncio é a poesia. E o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=facedavidaemperfil.wordpress.com&amp;blog=5356295&amp;post=4&amp;subd=facedavidaemperfil&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:x-small;color:#545454;"><span style="font-size:x-small;color:#545454;">À minha família; aos irmãos da minha família; aos seus filhos de coração.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> <br />
 </p>
<p>Capítulo I (Um sentimento explicado por trezentas sensações)</p>
<p> </p>
<p> <br />
 </p>
<p><a href="http://akheneoton.blogspot.com/2008/03/o-silncio-o-resto-dessa-poesia.html">VIDA</a> HUMANA </p>
<p>I</p>
<p>O silêncio é o resto da poesia.<br />
Se for possível.<br />
Ler alergias em peles e teus coçados.<br />
O silêncio é a poesia.<br />
E o não-coçar<br />
subindo em súplica,<br />
a unha.<br />
Febres que termômetro nenhum<br />
sente.<br />
O que não lemos.<br />
O anoitecer. </p>
<p>Eu tenho lábios tímidos<br />
e abri-los lentos é o que sinto.</p>
<p>Lágrimas. E cede, salivada, delas.<br />
E mal começam a molhar a pele,<br />
meu dedo, antes da boca, as bebe.<br />
O seco, o engolir da saliva. É minha vida.</p>
<p>O beijo no travesseiro.<br />
A mordida é meu ensejo.<br />
O recíproco que finjo. </p>
<p>Por um momento é o que sinto. </p>
<p>A ereção<br />
com sonhos que não recordo.<br />
É como te quero, impreciso.</p>
<p>Se nego lembrar-te,<br />
é o sentí-lo…<br />
silêncio…<br />
os…</p>
<p>No susto de mim.</p>
<p>A vontade de você me…<br />
Fogo.<br />
O fio de cabelo na boca,<br />
perdido.<br />
Roçando,<br />
arrepios,<br />
a pele,<br />
num coce<br />
evitando<br />
o cessar<br />
desse frio. </p>
<p>O vento que infla o meu físico,<br />
pela blusa de malha.</p>
<p>Um ninho vazio.<br />
Ali eu vejo<br />
que o amor foi criado por aves<br />
e…<br />
nesses três pontinhos,<br />
meu hino.</p>
<p>Tenho o ronco do estômago, a insaciação,<br />
ruída.</p>
<p>Você…<br />
Quando a ventania,<br />
na rua<br />
sombria<br />
faz redemoinhos<br />
e fascina.</p>
<p>Um silêncio em partituras,<br />
à mão direita.<br />
A respiração ofegante,<br />
a mão direita,<br />
a mão,<br />
o lance,<br />
a voz e o silêncio.</p>
<p>O cheiro<br />
do tempero,<br />
na panela ainda. Insípido.<br />
Aquilo que perco.<br />
 <br />
A saudade, o teu cheiro que se desfaz.<br />
Na contração do semblante, eu te amo.<br />
 <br />
Eu criança no balanço, eu te amo. </p>
<p>Eu te.</p>
<p>A dança desse ano.<br />
A temerança que sinto por dentro.<br />
O piano<br />
O beijo e o pescoço namorando.<br />
 <br />
Eu te silêncio.</p>
<p>II<br />
 <br />
. <br />
Eu te.<br />
O nome que não sei dizer:<br />
 <br />
o céu frio<br />
pronto pra escorrer bem leve<br />
o que eu te anuncio. …<br />
Gotas de raspão e outras poucas<br />
gotas perdidas.<br />
E liquido te transparecer.<br />
 <br />
A voz tocar e enlouquecer o tímpano<br />
e gravar um álbum de suspiro e prece serena<br />
e riso.<br />
Tê-lo no meu ouvido é o que digo.<br />
 <br />
Eu te pronuncio.<br />
Eu te silêncio em minhas notas.<br />
 <br />
.<br />
 <br />
Sei do meu sentimento.<br />
Eu sinto ter certezas.<br />
 <br />
Mas como vivê-lo ainda não sei.<br />
Se finjo,<br />
ou se busco exercer a vida (exercer!)<br />
segundo a minha verdade descoberta<br />
e mentiras ainda misteriosas.<br />
 <br />
Quero fazer de mim a minha obra. </p>
<p> <br />
 </p>
<p>Capítulo 2 (A hora de levantar e saber cair. E viver)</p>
<p> <br />
 </p>
<p>O SONO DAS TULIPAS</p>
<p> </p>
<p>Por quem vive, Tulipa?<br />
Senão tarde, vive<br />
por santos,<br />
sonhos e promessas de rosas?</p>
<p> </p>
<p>Viva agora.</p>
<p>Devia era viver agudo, cortante,<br />
a carne<br />
santificada e rude antes tarde<br />
do que nuvens.</p>
<p> </p>
<p>A vida é<br />
: a terra, e aquilo que enterra, os fins,<br />
a terra prometida e a realidade<br />
com olheiras à margem da idade.<br />
Devias, acordada, a vida insistir.<br />
: no sono superado, no sonho não acometido.<br />
Sono desejando-se tão limpo, tão mais<br />
que o impossível grunhindo já na vitória, já história.<br />
Viver devias à vida.<br />
: o visto de olhos-ganchos, apreendendo a vida.<br />
O real mais incomensurável.<br />
A vida desmedidamente vida, risos,<br />
antes da sonâmbula prece, sorrisos<br />
bem terrestres.</p>
<p> </p>
<p>Encerra-te das roucas finalidades. Vela<br />
o inútil, (é implícito o fruto, pega! A maça é vermelha<br />
e combina com a tua mordida. Reza apenas<br />
pra tentação ser provada, não lida nas linhas<br />
condenadas da vossa bíblia.)</p>
<p>  </p>
<p>Erra.<br />
Vela o gatilho<br />
do presidente, o risco (pela raiz)<br />
da guerra ao ranger dos vossos dentes,</p>
<p>encerra.</p>
<p>Porque quando a Tulipa acorda,<br />
Elisa, temos a ti.</p>
<p>Nunca à espreita da vida,<br />
ela que avança e cobre sempre tuas esperanças,<br />
de fé.</p>
<p> </p>
<p>A vida não é literatura.<br />
Não mergulha em capítulos.<br />
É. Infinito nomeado Ser.<br />
Um prefácil sempre difícil,<br />
de assinaturas renováveis.</p>
<p>A vida é viver maior que o livro.</p>
<p> </p>
<p>Pra que te encerras, à livros<br />
da última década, à litros das próximas<br />
letras de vidas em breve<br />
amarelas, porém eternas? O papel<br />
é que desgasta. Encerra-te, assim, ao<br />
morrer no verniz da última<br />
página. Por quem o púrpuro<br />
é prata? Sobre nós a teia desaba,</p>
<p>a geleira sem neve<br />
desgasta, a falta de sentido e de lúcidos,</p>
<p>e vosso ronco<br />
embala teu sono.</p>
<p> </p>
<p>Avisa-me a vida, vida.<br />
Se gritas estendida,</p>
<p>se vara nos carros<br />
de todos os dias,</p>
<p>na rotina,</p>
<p>se és meu intelecto<br />
ou minha experiência.</p>
<p>Se erro e te faço minha,<br />
e a tua ausência</p>
<p>é evitar a tentativa</p>
<p>que é sempre certa.</p>
<p> </p>
<p>A Tulipa vive por aqueles</p>
<p>que lhe acreditam bela.</p>
<p> </p>
<p> <br />
 </p>
<p>Capítulo 3 (Amor)</p>
<p> <br />
 </p>
<p>AMOR ABSOLUTO</p>
<p> </p>
<p>Eu poderia, na ternura da vida,<br />
a renúncia dos nomes, amá-lo,<br />
sabendo-te apenas homem,<br />
se te entendesse família.</p>
<p> </p>
<p>Se te fosse irmão.</p>
<p> </p>
<p>Seremos, se no mundo tivermos<br />
a moradia.<br />
E temos.</p>
<p> </p>
<p>Chega um dia, absoluto,<br />
em que um corpo<br />
são todos,<br />
um abraço, muitos,<br />
e cada único,<br />
idêntico em irmandade.</p>
<p> </p>
<p>Chega-nos um clarão,<br />
esse dia,<br />
que cega nosso discernimento.</p>
<p> </p>
<p>O raro é conceito, à cada boca fresca que o fala.<br />
O amor é julgamento, à cada peito ardendo a sua faca.</p>
<p> </p>
<p>Os milhares de pensamentos cobrem agora cada<br />
simples nó nas gargantas.<br />
Nós em todos.</p>
<p>E as respostas, pessoais,<br />
engasgam a saliva, na corda engolida,<br />
subindo a língua de todo homem,<br />
mentida em palavras, vagas,<br />
voltando em fomes.</p>
<p> </p>
<p>O branco é o preto, o rubro, o lilás.<br />
Um final dos sexos, a fêmea é clarão,<br />
o macho é clarão, vemo-nos cegos.</p>
<p> </p>
<p>Tardes.<br />
À tempo.</p>
<p> </p>
<p>Braços<br />
idênticos.<br />
Idênticos, os ossos,<br />
os membros nós temos.</p>
<p>Temos também paixão,<br />
como quem teme.</p>
<p> </p>
<p>Olhares<br />
são do tempo, cavidades.<br />
E relevos.<br />
E tudo mais dos homens,<br />
monumentos.</p>
<p> </p>
<p>Olhos que lacrimejam<br />
se permanecem abertos.<br />
E de piscos em piscos,<br />
nossos olhares caminham.</p>
<p> </p>
<p>Jovens, ao intelecto.<br />
Crescidos, ao espírito.</p>
<p>E se tiro a blusa na chuva,<br />
é por ela, molhada, não por minha secura,<br />
a loucura.</p>
<p>É pelo mundo meu livro,<br />
não por ter-me despido, a poesia.</p>
<p>O amém dos nossos pedidos,<br />
é a vida, mas a vida por propósitos<br />
maiores que ela. As dúvidas<br />
respondidas, sem fome nas línguas.</p>
<p> </p>
<p>Poderias amar a mim,<br />
se me entendesse como a si:<br />
de carnes e almas um rebento,<br />
se por eles liberto.</p>
<p> </p>
<p>De dualidades.</p>
<p>Sob o olhar de asa,<br />
o longe nos esmaga semelhantes.</p>
<p> </p>
<p>Eu poderia, na tortura da vida,<br />
te acolher irmão, amá-lo sob o clarão,<br />
como alguém afundando no mesmo barco,<br />
amá-lo, com o tremor das vontades<br />
e a doçura da voz.<br />
Não sei teu nome, sei-te homem,<br />
braços e paixões.</p>
<p> </p>
<p> <br />
 </p>
<p>Capítulo 4 (O longa-metragem de um porta-retrato num quadro por segundo.)</p>
<p> </p>
<p> <br />
 <br />
NA TUA BOCA EU BEIJO O MEU NOME<br />
 </p>
<p>Lábios são heróis, às vezes,<br />
discursando a paz política das mentes<br />
quando a paz é sede.<br />
Lábios são às vezes asas, simplesmente.<br />
E o poder voá-los<br />
mais alto, mais<br />
ave. Reticente. Luneta em tuas ciências<br />
do espaço; de estrelas; do ato luminescente<br />
do privilégio da palavra, das declarações,<br />
dos conselhos que perduram,<br />
da boca inerente<br />
ao próprio uivo.<br />
 <br />
: poder ser teu instrumento.<br />
Sax ao vento<br />
que desabrocha<br />
dos lábios músicos.<br />
A boca inerente a própria música.<br />
 <br />
Por onde dormes agora? De repente<br />
te sinto amores…<br />
 <br />
E tuas pálpebras hoje também são minhas.<br />
Você me dorme, às onze e trinta, bocejos<br />
à meia-noite.<br />
Nós, duas horas extremas,<br />
sonhamos o mesmo.<br />
Sonho tua presença onde estejam meus desejos.<br />
 <br />
Como é alta a tua voz, e íntima…<br />
…e doce é o que dizeis.<br />
Tua palavra na minha língua…<br />
 <br />
…me umedecendo.<br />
 <br />
Sabe que sou vasto<br />
quando menos?<br />
Que canto aos gritos o silêncio?<br />
Há imensos mares em mim.<br />
Há tanto ar me convencendo<br />
&#8230;<br />
E altitudes.<br />
Vôos.<br />
Teu pensamento em mim.<br />
O topo das árvores e a sombra.<br />
A folhagem ouvida na cidade.<br />
A lembrança do interior.<br />
 <br />
A saudade esquecida em sua plenitude.<br />
A carta da juventude.<br />
A tarefa da flor&#8230;<br />
Convencendo a menos rasteiro,<br />
a menos suor e mais calor.<br />
A longe da cidade,<br />
mais inteiro.<br />
 <br />
Menos denso, mais diários,<br />
mais maduro em menos tempo.<br />
E livre&#8230; ser-te bálsamo,<br />
E a flor sonhar teu perfume.<br />
 <br />
Traga teus bandos e cardumes.<br />
Estou lago,<br />
esperando-te há toques passados<br />
ansiosos<br />
 <br />
por tocá-lo.<br />
 <br />
A verdade<br />
existia<br />
quando<br />
eu, menino ainda, com o meu desequilíbrio no andar,<br />
aguardava a vida.<br />
 <br />
A tua face<br />
na minha.<br />
 <br />
Aguardava o fim das vergonhas.<br />
O início das próximas horas.<br />
A música que a mão contorna,<br />
e transparente, invisível, chora-me tímpanos.<br />
 <br />
Aguardava o conselho das senhoras.<br />
O medo passar.<br />
As respostas<br />
do outro lúcido.<br />
“E aguardar é a confiança, criança,<br />
no futuro que virá.”<br />
A Verdade transparece (você),<br />
um vidro que aos poucos amanhece<br />
bem claro, cada vez mais, até que dourado<br />
e menos mordaz, suave (suado), torne-se um papiro em branco<br />
amarelado. A verdade precisa<br />
ser escrita. Antes desse exato momento,<br />
tudo, todos somos verdadeiros.<br />
Tudo acontece.<br />
A “mentira” é o que foi ignorado.<br />
 <br />
Que eu te seja verdadeiro.<br />
Escreva em mim o teu presente<br />
e os teus beijos.<br />
 <br />
Deliciando<br />
a pele pelos cantos.<br />
 <br />
A pele entregue.<br />
Eu preciso<br />
de arma.<br />
Nem que seja um piano,<br />
aqui em casa,<br />
e o meu canto de extrema prudência<br />
e palavra luminosa, e silêncio profundo.<br />
Fora isso, nada.<br />
 <br />
Silêncio é a harmonia dos sons.<br />
E ela é a tua fala.</p>
<p> <br />
 </p>
<p>Capítulo 5 (O mérito da amizade)</p>
<p> <br />
 </p>
<p>CRIANÇAS<br />
 </p>
<p>I<br />
 <br />
Sorriu – petrificou-se assim, sorrindo caminhos de carvalho<br />
abertos à fuga pública. Permanece sorrindo.<br />
Leve, leve, leve, leve na pronúncia, num perdão<br />
feito de amnésia<br />
induzida.<br />
 <br />
Sorriso leve feito um pós-guerra aos pos-vivos&#8230;<br />
(pos-vivos? Pos-virgens? Quis dizer recomeço.)<br />
: A vista do teu contra-luz chegando<br />
a passos largos, a olhos nus,<br />
pela janela.<br />
 <br />
Teu rosto avermelhado,<br />
a permanência,<br />
os percursos de carvalho.<br />
 <br />
II<br />
 <br />
Ruídos infantis, nos corredores de casa,<br />
e na minha própria história, caminhavas&#8230;<br />
 <br />
Tuas botas na porta,<br />
e tua escrita na sala.<br />
 <br />
 <br />
Recordo-as num lugar desses&#8230;<br />
Num&#8230; <em>como chamam</em>?&#8230; amigo ausente.<br />
Isso não existe, não há bilhete<br />
mais vivo do que o que leio agora,<br />
nem abraço mais apertado<br />
do que aquele que fazia-nos um só homem gordo,<br />
e nos fez suspensos<br />
na amplidão implícita do amor.<br />
E do momento.<br />
 <br />
E sorrio o mesmo de outrora.<br />
 <br />
O que seriam esses sons de veracidade,<br />
teus risos, criança&#8230;<br />
- rios de alma<br />
e céu de olhores – o que havia de ser amar,<br />
agora que eu te amo?<br />
Se só agora há o que fingem haver.<br />
O que havia de se temer, o que é maturidade?<br />
É acumular poderes sobre os homens.<br />
Que gosto sinto? É o de outono, de arte,<br />
de critérios, confianças,<br />
de saudades. Porque é preciso que partas<br />
pra que fiques o teu pedaço<br />
e a tua lembrança.<br />
 <br />
E as minhas predileções.<br />
E que teus retratos se percam,<br />
pra que eu te invente.<br />
E te saiba.<br />
 <br />
III<br />
 <br />
Talvez o amor seja perder alguém amigo pela amizade,<br />
caso seja necessária a renúncia.<br />
 <br />
Talvez sejam duas crianças.<br />
O amor,<br />
sejam duas.<br />
 <br />
Nós dois deitados no gelado do telhado,<br />
com restrições:<br />
amigos.<br />
A conversar amabilidade…<br />
 <br />
E na felicidade,<br />
nesse ímpeto de vida<br />
que todos esquecemos…<br />
Dizer “eu te espero crescer<br />
E te impeço casamentos”.<br />
 <br />
&#8220;Essa música me traz meus primeiros metros<br />
essas rugas remetem o meu rejuvenescimento.”<br />
Alimentados nascemos (alimentos nos tornamos), ainda repletos,<br />
viemos de outro peito e para outros iremos.<br />
 <br />
(Como Platão nutrindo humanidades escrevendo um banquete.)<br />
 <br />
O amor,<br />
num talvez inocente desfecho,<br />
seja dizer: &#8220;vamos amar?&#8221;<br />
como quem diz:<br />
&#8220;vamos experimentar a tinta na parede?&#8221;,<br />
e viver essa pintura da melhor forma possível.<br />
Esse é o tempo-eixo,<br />
o resto da vida beira a margem do círculo.<br />
 <br />
Assim que crescer&#8230; a semeadura,<br />
e o céu diante da pequenez de nossa ossatura,<br />
e a grandeza da nossa ave,<br />
criançará-nos a face, a alma, apesar do surto caduco.<br />
 <br />
A irrelevância dos tempos, a inocência é o final da estrada.<br />
Será hora de um cedo poente, um hoje mais urgente que outros.<br />
Crianças seremos quando crescerem os céus e nossas asas<br />
elevarem-nos ao espaço onde convive a eternidade e visitam os oráculos.<br />
 <br />
IV<br />
 <br />
E&#8230; Dalva, tu que és minúcias<br />
e desvelo,<br />
cresceste.<br />
Tivera idade de ser mãe e foi de si mesma.<br />
Envelheceste.<br />
Agora és avó e mãe três vezes<br />
da criança que nunca deixaste morrer.<br />
 </p>
<p>Capítulo 6 (Um lugar faminto por história)</p>
<p>AQUILO QUE PODEMOS SER</p>
<p> <br />
Que o PODER seja sempre verbo…</p>
<p>E dito inconsolável.<br />
Poder conjugado, se possível fosse,<br />
por entre nós e vós, num todo indizível.</p>
<p>Um nunca tido como desistência.<br />
(E que nem esse “nunca” tenha a eterna existência.)</p>
<p>&#8230;<br />
Podemos nos beijar, mas não agora.<br />
O poder é regado por tempos<br />
que virão&#8230;<br />
…embora já nos tenhamos nesse apaixonado delírio<br />
do desejo um do outro.<br />
 <br />
Minhas mãos podem a vitória.<br />
Podem elas tudo, ferir orgulho, tocar os primeiros<br />
filhos do futuro no ventre do basilisco.<br />
Tocar seus rostos novos, com bochechas e covas.<br />
(E que nessas covinhas estejam os últimos<br />
da fila.)<br />
Mãos que oferecem a outra face pra derrota.<br />
 <br />
Podem acabar com nossos sonhos?<br />
Podem.<br />
Mas que o poder acabe, se não houver vigor<br />
no teu amor.<br />
Se as forças morrem desacreditadas,<br />
ainda restam as obras que fizemos,<br />
as escadas que já subimos, o lenço<br />
que oferecemos a uma lágrima;<br />
o berço<br />
que agora é pequeno e nostálgico.<br />
As vigas da nossa casa foram nos fortalecendo.<br />
 <br />
PODER não ter servos.<br />
PODER servir aos que não sabem prestar.<br />
PODER amar aos que só odeiam e nos governam.<br />
Amemos.<br />
 <br />
O homem mais poderoso do mundo<br />
tem a coragem de ser o menos.<br />
 <br />
Que o PODER seja sempre verbo…</p>
<p> </p>
<p> <br />
 </p>
<p>Capítulo 7 (O panorama.)</p>
<p> <br />
O PROCESSO ANTERIOR<br />
 <br />
Até onde eu sei<br />
É o aqui.<br />
E até onde o amor sabe de mim,<br />
à frente de mim,<br />
na ilha fértil que espera por mim,<br />
onde não soube sentir o suficiente,<br />
e agir devidamente,<br />
não há riscos<br />
em seguir sem a tua reciprocidade.<br />
 <br />
E digo isso para o mundo.<br />
Primeiro eu te desejo um rumo.<br />
Depois me alimento das suas perdições<br />
e te esqueço.<br />
Por um prêmio, te relembro.<br />
Quero o meu lugar<br />
na história e nas tuas escolas.<br />
Amo o momento,<br />
o clímax que me privilegia e nada<br />
além do efêmero.<br />
Depois te perco e vem um ressentimento nulo.<br />
Eu bebo o mar revolto<br />
porque a cede de ti eu invento agora que não te tenho.<br />
Eu respiro o ar dos outros,<br />
quando ninguém compreende a beleza do meu sofrimento.<br />
Quero a ti como nunca quis antes,<br />
pois sei que antes de tê-lo eu não sentia a ausência que caminha comigo,<br />
dizendo as coisas finitas que sempre lembro.<br />
 <br />
Há um saber absoluto (E de vastos anos. Anos terrenos abertos.)<br />
de um amor consciente do valor do mundo.<br />
 <br />
E do presente.<br />
 <br />
Porque esse presente eterno que vive agora agora,<br />
nesse poema que lês e toma-te o tempo,<br />
foi o passado e será o futuro da vida.<br />
 <br />
Eterna vida que será o passado e foi o futuro agora que termina<br />
essa poesia.<br />
 <br />
Por isso primeiro te tento.<br />
Depois te desprezo, mundo.<br />
Depois fico enfermo.<br />
Depois rezo ajoelhado no meu tumulto.<br />
Depois te quero.<br />
Depois a vida é melhor que o seu contrário.<br />
Depois, primeiro me tento aperfeiçoar.<br />
E me desprezo por ser os meus erros; tão humano o meu medo de arrependimento;<br />
E quero ser amado antes de amar.<br />
 <br />
Primeiro eu sopro, depois eu vento.<br />
 <br />
Amá-lo como a mim mesmo<br />
é:<br />
olhar hoje<br />
com os seus<br />
olhos no espelho<br />
e dizer ao ego<br />
que tenho beleza<br />
mesmo não vendo<br />
da onde nasce essa certeza.<br />
 <br />
Vivi a ti como a ti vejo.<br />
E sendo-te, os desejos e os sonhos,<br />
sabendo teus medos<br />
e entendendo o teu santo,<br />
eu o quis feliz,<br />
comigo ou<br />
com<br />
o meu abandono.<br />
 <br />
Há uma imensidão de sonho..<br />
…e de arte,<br />
nas minhas lembranças<br />
de nós dois.<br />
 <br />
Lembro que você sorria,<br />
hoje no carro,<br />
e a Nina cantava<br />
a nossa palavra,<br />
a nossa promessa<br />
de envelhecer amigos.<br />
E renascer.<br />
 <br />
E cada vez que te amo,<br />
com interlúdios e estudos de Chopin,<br />
abraço mais a liberdade do amor que é de virtudes,<br />
e voa como música entre nossas harmonias.<br />
Abraço o teu momento ao meu lado.<br />
E nossas noites.<br />
Legados.</p>
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